quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não tocou.



Era tarde, o telefone não tocou. Alguém sabe o que é ficar um dia inteiro ao lado do telefone esperando uma ligação que, no fundo, você sabe que não vai acontecer?

Não tocou, e eu continuei ali, mesmo não tocando, esperando que do outro lado, alguém tirasse o fone do gancho e ligasse somente pra dizer: "Alô? Oi, como você está?" ou: "Andei pensando em você" ou "Como foi seu dia?", coisas um tanto quanto bobas, mas que fazem a diferença quando você espera que alguém se importe com você, quando ninguém mais se importa mesmo.

Foi uma pena. O telefone não tocou, não tinha ninguém do outro lado da linha, era tudo tão silêncio, tão vazio, tão extremo do nada que me habitava que continuei ali, à espera daquilo ou daquela e, quem sabe daquele, que mudaria a sensação, a nostalgia e a decepção que eu senti. Fiquei aguardando, mas tanto, que até tirava-o do gancho às vezes pra ter a real certeza de que tinha linha - e tinha -, a questão em si mesmo é que ninguém ligava. Demorei pra entender que ninguém ligaria e muito menos retornaria, mas não desisti de esperar.

Continuei ao lado do telefone, à espera, sempre esperando, como sempre espero! Essa maldita mania de esperar, por respeitar o tempo, a vontade, a vida. Essa maldita espera que, às vezes, me impossibilita de continuar na vida. Essa maldita espera que, apenas quê.

O telefone não tocou, nenhuma mensagem sequer na secretária eletrônica dizendo: "Tentei te ligar, mas já é tarde, você deve estar domindo... Mas eu queria que soubesse que eu liguei." Era o mínimo, mas nem isso me foi dado, nem isso pude esperar, não podia esperar embora fosse meu íntimo desejo ou talvez apelo.

Sem ilusões, porque não tocou e não iria tocar. Do outro lado da linha, o mesmo silêncio, aquele que existiu desde o começo e não era, definitivamente, uma forma de comunicação. O sono chegou, fui dormir, então, com a sensação de que não haveria mais, como nunca houve, nem um sim e nem um não.

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