terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O Sorriso.


Se quiser falar algo... Que fale como o vento fala às folhas, que fale como a brisa que ameniza o coração. E, então, construa no silêncio. Quero roubar de você a sensação de paz. Se quiser falar algo... Simplesmente não diga, pois pode ser que eu já esteja presente, no fruir das almas ou na magia dos (seus) dias, nos desencantos, encantos, encontros e desencontros e na esperteza do destino.

Me dê, então, aquele pequeno sorriso de satisfação, fui seduzida pelo encanto dos lábios teus, mesmo longe dos lábios meus. Nada será tão atraente como ele, de modo que nem riso e nem lágrima fossem capazes de escondê-lo, assim como os ouvidos meus que sabem escutar segredos teus, das nossas vozes que se misturam e que falam mesmo em silêncio. Pois nem a letra, nem a sílaba, talvez nem mesmo a palavra, pois que se transcede em encanto - o mais puro de todos eles -.

No seu sorriso está a magia, o limiar entre o " bem-vindo! " e o " adeus! ", pra descobrir o prazer do " até breve! ". Pois que o prazer estará sempre no encontro, no unir que vence as individualidades, os medos, as incompreensões. E, por isso, sejamos breves, impulsionados por nossa eternidade e perdidos no tempo, e não mais tempo algum senão uma ilusão de um minúsculo instante, onde vejo, com o coração...

o sorriso que é só seu.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Graciosidades.


Quem dera se todas as graciosidades do mundo fossem reconhecidas assim: uma em um milhão!. Já dizem que pra se reconhecer uma graciosidade, há de ser o mínimo gracioso possível, é aquela velha história de se reconhecer nos olhos, nos cílios ou na própria graça das pupilas.

Dizem por aí que graciosidade são raridades. Poucos são aqueles que conhecem e reconhecem essa graça passeando por aí, entre tantos sem graças, tantos com desgraças, tantos sem nada absolutamente nada disso.

Acontece que todos possuem graciosidade, seja por você mesmo ou por ter uma pessoa. Graciosidade a gente reconhece quando se olha no espelho e tem a sensação de ser alegre o tempo todo -mesmo que existam motivos pra não ser-, de esbanjar sorrisos sem esperar algum troco, de acordar de bem com a vida por se ter alguém...

Graciosidade a gente guarda em um potinho, pra fazer (nos) bem. Graciosidade a gente leva a vida inteira, na lembrança de alguém... Graciosidade pra a vida, SIM!.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

2010.


Primeiro post do ano. Mas, e daí que é um Ano Novo? Sendo que a maioria das coisas continuam velhas: a casa, as roupas, os pensamentos, os sentimentos, os amigos, os amores. VELHO! Ok, talvez essa não seja a palavra certa, então optemos por "certo" ao invés de velho. Mesmo assim, são as mesmas coisas, a mesma vida, o mesmo cotidiano. A medida que os anos passam e crescemos - ou não - vamos percebendo (ou definitivamente perdendo) o sentido das coisas que nos rodeiam. Sempre rola aquela retrospectiva do ano anterior e a expectativa de tudo o que você espera no ano que está começando.

Alguns acreditam que esse ano é o ano do sucesso, outros acreditam que é o ano do sim, outros acreditam que é o ano da dignidade e amor próprio, outros acreditam que é o ano do amor. Sinceramente, pra mim, acredito que seja mais um ano como todos os outros que se encerraram e que representa, mais do que nunca, aprendizado. ACREDITAR! Talvez essa seja sempre a palavra certa pra cada ano que se encerra e começa. Acreditar que vai ser diferente, acreditar que vai ser igual, acreditar que você vai conseguir, vai superar, e vai, definitivamente. Pois é, mais um ano que se encerra e que eu aprendi, novamente: a cair num buraco sem fundo, a me levantar sozinha, a amar, a esquecer, a crescer, a ser criança sempre, a não desistir, a desistir às vezes, a acreditar nos sonhos, a sonhar menos, a viver mais, a viver na medida, a me permitir, a me fechar, a me perder, a me encontrar, a me tornar melhor, a conhecer o meu pior, a me entender, a nunca fugir, a enfrentar o perigo.

Mas acima de tudo isso que aprendi e reaprendi, eu aprendi a me amar bem mais do que eu nunca me amei antes e entender de uma vez por todas que dificilmente conseguimos levar tudo e todos por anos e anos seguidos e que, automaticamente, algumas coisas e pessoas vão perdendo o sentido a medida que os dias de cada ano se passam, e como é fácil fazer as coisas se perderem quando temos a real vontade de que se percam mesmo.

Involuntariamente, no ano que se encerrou, perdi amigos, perdi amores, perdi conversas, perdi desenhos, perdi músicas, perdi pensamentos, perdi oportunidades, perdi sentimentos, perdi muita coisa que, talvez, eu não quisesse ter perdido. Entretudo, acredito muito naquela frase que dizem por aí: "Natural é encontrar e perder, perder e encontrar. Assim como reencontrar.". O ano MAL começou e eu já ganhei e reencontrei tanta coisa, assim como tantas pessoas também - e pra quem não tinha propósito e expectativa nenhuma nele, até que ele começou bem demais - e é surpreendentemente como a vida se encarrega de fazer sempre o certo, mesmo que por caminhos avessos, tortos e sem contextos. É, às vezes a gente reclama, mas sabe que tudo que vem, vem pra o nosso bem e é essa certeza que nos move a cada dia, por mais que existam os famosos trancos e barrancos.Entra ano e sai ano e a gente vai vendo o quanto somos felizes pelas mudanças que cada um representa em nossas vidas. E a partir disso, definimos, literalmente falando, o que queremos pra nossas vidas nesses 365 dias que começam. E eu já decidi...

Decidi, mesmo, é ser feliz.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Chuva.

Uma tempestade ocorre dentro de mim, tanto quanto ocorre do lado de fora. Olho pela janela e vejo a chuva caindo, caindo, caindo, caindo sem parar em forma de gotículas, lágrimas, enfim, do que quiserem chamar. Aqui dentro também chove, em forma de sentimento, de saudade, de compaixão, de esperança, de coração. Chove o tempo todo, mesmo quando eu determino que fará sol dentro de mim, mas chove... sempre, e cada vez mais, chove.

Quando chove do lado de fora é possível ver com os próprios olhos o estrago que se faz: alaga-se casas, ruas. Pessoas morrem, se ferem, caem postes. Acaba-se a luz, moradias, vidas. Mas e quando chove do lado de dentro? É! E quando chove dentro da gente mesmo e que não dá, definitivamente, pra se notar o estrago que se é feito? Pois sim, alaga-se o coração, afoga-se a alma, o pensamento perde a respiração e não há ninguém pra salvar nada disso, não há ninguém que enxergue dentro de nós a ponto de nos salvar a não ser nós mesmos.

Concluo que por mais que chova dentro ou fora de nossas vidas, só nós mesmo somos considerados os "salva vidas de nós mesmos." E é sempre tão difícil se salvar que a maioria das pessoas morrem, preferindo salvar os outros como forma de heroísmo, como forma de mérito, como forma de depositar em outra vida a capacidade de salvá-la, já que se sente totalmente incapacitado de salvar a sua própria pele.

Acontece que, por mais que muitas pessoas morram afogadas lá fora, muitas outras pessoas - a maioria - morrem afogadas do lado de dentro e ninguém, ninguém pode salvar nenhuma delas. E enquanto isso a chuva continua caindo... Dentro, fora, fora, dentro, dentro e fora, fora e dentro e as gotículas só aumentam.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Algo muito grande.


Como é que a gente sabe quando algo muito grande acaba? A questão é que, na verdade, a gente sempre sabe. Por mais que o coração não consiga ver tudo, além de sentir, ele pressente cada coisinha que o cerca embora muitas vezes ele tampe os olhos pra nunca vê-las inteiramente. Percebi que quando amamos algo ou alguém incondicionalmente, somos capazes de fechar os olhos pra muitas coisas que, talvez, não deveríamos. Me refiro a verdades que o coração esconde por medo de abrir mão daquilo que ele ainda acha que pode dar certo, pode ser resgatado, pode ser diferente.

Mas... E quando isso não depende somente do seu coração? E quando entra um outro coração em questão - aquele todo revoltado, que anda por si só e toma suas próprias decisões -? O que é que a gente faz quando o outro coração resolve passar por cima do nosso coração "sem bocas" de cogitar possíveis arrependimentos por vontades ultrapassadas e incontroláveis que o mesmo sente? E quando sentimos que não cabe a nós decidirmos se esse mesmo coração - e o nosso também - pode se quebrar ou não?

Ontem, li algo que me fez pensar e repensar em muitas coisas. É o seguinte: " Incerto são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só!". Depois disso, parei pra pensar no quanto achamos sofrido abrir mão de algo que não queremos, por mais que saibamos que seja necessário, e o quanto nos privamos de coisas muito melhores que poderiam vir por conta de tudo isso. Hoje, sei que quando algo muito grande acaba é pelo simples fato de ter a necessidade de acabar. Nada termina demasiadamente antes se já não estiver acabado ou se acabando. Aprendi da pior maneira que se existe que se não achamos nenhum tipo de solução pro que nos aflige, é porque solucionada, essa mesma coisa, está e é preciso ter força, coragem e fé pra seguir em frente e entender que a vida vai muito mais além de tudo isso.

Algo muito grande pode acabar hoje, para muitas pessoas, em muitos lugares e a qualquer hora. Mas expandir o coração é uma forma de entender que tudo acaba por, uma hora, ter que acabar e se sentir capaz de crescer com isso também é uma forma de se permitir.

Ser capaz de acreditar que nunca é tarde para o amor, é uma forma de driblar a dor... Então, acredite: - Nunca é tarde! Nunca é... Nunca.

sábado, 24 de outubro de 2009

Ausência.

 " Ausência; S.f: Afastamento, falta de presença: constatar, notar uma ausência. Fig: Inexistência, carência: ausência de qualquer critério. Distração, perda de memória: ter ausências. "
Ausência de cor, ausência de corpo, ausência de palavras. Ausência de mãos, ausência de amor, ausência de risadas. Ausência de pessoas, ausência de lembranças, ausência de estradas. Ausência de sentir, ausência de matriz, ausência de lucidez. Ausência de saudade, ausência de decisão, ausência de coração. Ausência de cigarros, ausência de encontros, ausência de destino. Ausência de estupidez, ausência de loucura, ausência de sensatez. Ausência de carinho, ausência de amigo, ausência de companherismo. Ausência de porto seguro, ausência de reciprocidade, ausência de perigo. Ausência, ou ausente, até mesmo da própria existência.

Se ausência tem esses e todos os outros significados, seria ousado demais, então dizer que ausência seria quando nos ausentamos de nós mesmos? Ou mais: quando tentamos fugir de algo que não é tão ausente?

Ausências, perdas, afastamentos, carências, critérios ou distrações...
São possibilidades além de você, de mim, de nós. Além de.

" Me torno ausente quando destino todo o meu tempo pensando em você. Mas me torno ausência sempre que destino esse tempo pro mesmo. "

domingo, 18 de outubro de 2009

Metade.


Não gosto de metades. Não acredito que seja possível ser feliz com a metade de alguma coisa que nunca acharemos a outra metade perdida, escondida. Não existe a possibilidade de ter sentimentos, pensamentos, desejos, solidão, vontades, decisões ou escolhas pela metade... Ou é, ou não é!

Vivo na intensidade daquilo que acredito, não acho um meio termo entre o oito ou o oitenta. Ou é um, ou outro, mas nunca o meio, a metade, a raspa da coisa toda. Vivo aquilo que eu sinto, por inteiro, sem rodeios, agradando, ou não, a quem se interesse.

Escolher ser a metade de algo ou alguém, é anular a sua outra metade. Logo, não seremos inteiros e nunca seremos capazes de sentir tal sensação se continuarmos com a ideia de nos acostumarmos com as metades que nos são dadas. Que merda! Não quero essa porra de metade, ou encontro alguém que me dê algo por inteiro, ou farei o meu inteiro por si só.

Por si só... Ah!